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sábado, 31 de outubro de 2015

















Púlpito

(Jardel Gordiano)
Púlpito de angústias
Certezas e dúvidas
Lugar de palavrasLugar de lágrimas
Onde o sagrado alcança o profano
Onde Deus fala ao cotidiano
Púlpito dos tremores, e medos
Púlpito de alegria e vitórias, segredos.
Lugar especial de aprendizado

Lugar de rostos marcados

Onde ser ver o que dorme

Onde se percebe o que foge

Púlpito da salvação
Púlpito da reconciliação
Lugar de encontro
Lugar de confronto
Onde se prega a morte 
Onde se enaltece a vida
Púlpito de feridas
Púlpito de curas
Lugar de crescimento.  

quinta-feira, 15 de outubro de 2015




















O AMANHÃ

(Jardel Gordiano)

O amanhã que não se ver
Reserva em se o mistério do oculto
São fatos e acontecimentos ainda turvos
Não da para saber, mas, tudo pode acontecer
O amanhã não existe mas persiste
Em interagir no hoje como se fosse
Mas ele não é enquanto fato
Não passa de uma impressão, ou será um simples sensação?
Não sei como explicar
Como um tempo que não existe pode tanto influenciar?
O hoje pensa no amanhã
Mas ele sempre será impossível de alcançar
Estará em todo tempo a um passo frente da existência concreta
O amanhã não presta!
Pois, prestes a chegar ele se torna hoje
E novamente, num instante, volta aparecer tão distante
O amanhã não permite ser tocado
Ele é um mistério ainda não revelado
E permanece assim, falado, esperado, mas longe e intocado
Ele sempre foge no último segundo
Quando já posso sentir sua chegada
Ele levanta voo e pousa a vinte e quatro horas de mim
No passado ele não existiu, ninguém nunca o alcançou
No presente é ausente, jamais chegou
Sua existência só se encontra no futuro
Que também é turvo
Esperto foi aquele que agendou o fiado para o amanhã
Ele já sabia que o amanhã nunca chegaria
Para quer serve então o amanhã?
Talvez para me fazer esperar, ou sonhar
O amanhã pode ser só uma palavra
Usada para falar de um período que nunca vai chegar.
É intocável, mas presente no hoje, que pensa nele como se já fosse
Oxe!
O amanhã é um balaio de gato difícil de entender
Bem mais difícil de viver
No amanhã eu nunca farei nada
Pois ele sempre estará com o pé na estrada
Correndo do hoje que lhe faz ser
E se o hoje fosse o amanhã e o amanhã fosse o hoje?
Vixe! Vamos para por aqui, e concluir
Que o amanhã sempre será hoje.
E que o hoje é o amanhã e ontem. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015


Alguém para alguém

(Jardel Gordiano)



Me sinto tão impotente diante do choro
Das lágrimas que saem brutalmente 
Daqueles que se acham descontente
Que vivem, mas, são ninguém para o outro 
Daqueles que falam para as costas surdas, 
Que não querem voltar o olhar
Para o pobre que vive a mendigar
Daqueles que olham para o indiferente
Com esperança de ser, quem sabe, alguém para alguém.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015


O eu e o tu.
(Jardel Gordiano)
O eu e o tu é um verso 
Onde se espera expressar
Uma reflexão que tende a passar

Olhando para o outro na estrada
Penso em como deve ser sua vida
Quão dura é essa jornada
Nos olhos percebo a história 
Que não se conta na escola
Ou livros de ficção, 
Nem ao menos nos enredos da televisão
São eles os invisíveis personagens
Que fazem parte de uma história gigantesca

Desde a criação, tem passado o eu e tu por aqui
Sem deixar rastros ou traços capazes de atrair
São invisíveis, homens e mulheres
Que nascem e morrem no oculto 
Que já dormem para o mundo

Qual seu significado para história? 
Para quem e quando foram importantes? 
Será o eu e o tu um mero acaso na trajetória?
Para o eu o tu é intrigante
É mais que mero acaso
É importante
É pequeno e insignificante 
Mas insubstituível nos instantes
Daqueles que vivem com o tu 
Onde constrói o eu

Na relação o eu e o tu
Se encontram para perceber
Que fazem parte da dinâmica do viver
O enredo é escrito na instância da vida
Onde o eu e o tu ganham significado
E vivem acompanhados

O eu sou eu e tu és tu
O tu sou eu e eu sou tu
Somos nós participantes
De uma história distante
Gravada nos anais de alguma lugar
Onde nem todos podem alcançar. 
O tu continua na estrada
Visto ou não, dá prosseguimento em sua caminhada.
E o eu fica a observar 
Que todos são importantes em seu lugar.  

sexta-feira, 18 de setembro de 2015


SOLO ONDE PISO
                 (Jardel Gordiano) 

Solo onde piso,
Onde vivo
Me da segurança
Para viver como criança,
No jardim, nas estradas,
Debaixo das calçadas
Ele nos sustenta na superfície
Em tempos bons, tempos difíceisSolos arenosos
Solos rochosos
Solos argilosos
Não importa o tipo que seja
Terra roxa, terra preta
Que se veja sua importância
Na instância do viver,
Do homem que come,
Que bebê que planta
Guardando com esperança
A chuva que molha, e flora
O solo que chora
Com a seca sem beleza
Que traz dentro de si
O racho do chão
Cortando o coração
Do sertanejo sem pão.
Solo de vivências
Que no tempo bom
Não deixa de produzir
O verde que alegra
A espera do pobre
Que almeja ser feliz.